Memória Lélia Gonzalez em Ações Afirmativas

CULTURA, EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO EM AMEFRICANIDADE NA LUTA POR AÇÕES AFIRMATIVAS

25.9.07

Universidades de MG têm de reservar vagas

Justiça obriga 12 universidades a reservar metade das vagas para escola pública

Sexta-feira 21 de setembro de 2007 17:30
Elaine Pereira - Portal Uai

Doze centros de ensino superior de Minas Gerais estão obrigados a reservar 50% das vagas de todos os seus cursos para candidatos que estudaram em escolas públicas. A ordem é do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), confirmando sentença de primeira instância da Justiça Federal em Minas Gerais. A primeira decisão do TRF1 é de dezembro de 2006. Mas só na última quarta-feira, dia 19, alguns recursos interpostos individualmente pelas universidades foram julgados e negados pelo tribunal. As instituições ainda podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Pela decisão, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de Viçosa (UFV), de Lavras (UFL), de Uberlândia (UFU), de Juiz de Fora (UFJF), de Ouro Preto (UFOP), Fundação de Ensino Superior de São João Del-Rei, Escola Federal de Engenharia de Itajubá, Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina, Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas, Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro e Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais devem elaborar listas de aprovação nos vestibulares diferenciadas entre alunos de escolas privadas e públicas.

As informações são da Procuradoria da República em Minas Gerais.

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2007/09/21/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=30652/em_noticia_interna.shtml

recebido de Jeferson Santos da Silva santos - ebbbano@yahoo.com.br
em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:25 — Arquivado em: Ação Afirmativa, Legislação

22.9.07

Ação no Supremo: Cotas da UERJ

Ação direta de inconstitucionalidade número 3197-0 - Relator Min. Sepúlveda Pertence

Segue o andamento da Ação de Cotas no Supremo Tribunal Federal.

Peço informarem à repórter Luiza de Carvalho, de Valor Econômico, que assina a matéria “Regime de cotas em universidades enfrenta oposição e ações judiciais”, de 21.09.2007, que ao contrário do que ela afirma na reportagem, a ação direta de inconstitucionalidade, ajuizada pela CONFENEN, não está arquivada, e pode trazer grandes surpresas.

Para começar, o Relator não é mais o Ministro Sepúlveda Pertence, que já se aposentou, e sim o Ministro Carlos Alberto Direito.

O Ministro Carlos Alberto compareceu ao evento paralelo à Conferência Nacional da OAB, em 1999, organizado pelo IARA - Instituto da Advocacia Racial e Ambiental, e outras entidades do Movimento Negro, e se manifestou pela constitucionalidade das ações afirmativas em favor de afro descendentes.

Na ação - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, há AMICUS CURIAE - amigo da corte - de 15 entidades do Movimento Negro e aliados; 05 Terreiros de Religiões de Matriz Africanas; e mais a GLERJ - Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro, dentre outras, todos em favor das cotas.

Por fim, a ação permanece intensa, visto do andamento percebe-se atividade da ALERJ - Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, e do GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que recentemente prestaram informações ao Relator, como se vê no Acompanhamento processual em 17 e 21.08.2007.

A ação, neste momento, com vista ao Advogado Geral da União.

A informação da reportagem pode dar idéia de ausência de perigo para as cotas raciais.

Parabéns à participação dos advogados Renato Ferreira e Silvia Cerqueira, ilustres representantes das questões jurídicas ligadas à área racial em favor dos afros descendentes, que muito nos honram.

recebido de Humberto Adami - www.adami.adv.br, em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br

http://www.adami.adv.br/uerj07.asp

criado por Memória Lélia Gonzalez    14:29 — Arquivado em: Legislação

21.9.07

Regime de cotas em universidades enfrenta oposição

Regime de cotas em universidades enfrenta oposição e ações judiciais

Das 257 universidades públicas do país, 47 adotam sistema e são alvo de liminares. O advogado Renato Ferreira: jurisprudência favorável às universidades.

Regime de cotas em universidades enfrenta oposição e ações judiciais

Luiza de Carvalho/Valor On Line
21/09/2007

Enquanto a chamada ação afirmativa - nome dado à reserva de cotas para determinados grupos sociais e instituições - não é regulamentada por uma legislação federal, universidades públicas de todo o país adotam medidas nesta linha valendo-se da autonomia universitária estabelecida no artigo 207 da Constituição Federal. Até agora, 47 das 257 universidades públicas brasileiras já adotaram ações afirmativas, cada uma com suas próprias regras e restrições. Destas, sete se basearam em leis estaduais que regulam o tema. Mas, apesar do avanço das ações afirmativas, sua implantação não é pacífica. Diversas universidades sofrem uma massiva contestação dos regimes de cotas na Justiça.

No primeiro vestibular com o regime de cotas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a primeira a adotar o sistema no país, mais de 200 mandados de segurança com pedidos de liminares - além de uma ação civil pública - foram impetrados na Justiça estadual por candidatos que se sentiram prejudicados pelo sistema. Os candidatos alegam que o regime de cotas da UERJ fere a Constituição em seus artigos 208, que define que o acesso ao ensino deve se dar pelo mérito pessoal, e o artigo 5º, que estabelece a igualdade de direitos. As universidades se defendem com o argumento de que a igualdade de direitos deve ser proporcional à renda e que as cotas estariam orientadas pelo artigo 3º da Constituição, que estabelece que um dos objetivos do país deve ser a redução da desigualdade social. Outro argumento é o de que, de acordo com o artigo 215 da Carta, a diversidade étnica deve ser reconhecida como um valor e, portanto, deveria estar presente na universidade.

Segundo o advogado Renato Ferreira, Coordenador do Programa Políticas da Cor do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, na maioria dos casos a jurisprudência tem sido favorável às universidades, ou seja, as decisões judiciais estão mantendo os regimes de cotas. Mas há, também, entendimentos em sentido inverso. Em 2005, juízes de Curitiba proferiram decisões divergentes nas contestações de vestibulandos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Valendo-se do princípio da isonomia, um juiz substituto da 7ª Vara de Curitiba concedeu uma liminar a um estudante reprovado no vestibular e que alegou que obteve a pontuação necessária, mas precisou ceder seu lugar a um cotista. Meses antes, um juiz da 4ª Vara negou uma liminar a uma candidata que ingressou com uma ação na Justiça pelo mesmo motivo.

Neste ano, na Universidade Estadual de Londrina (UEL) - onde os candidatos às cotas devem se auto-declarar negros ou pardos - a comissão avaliadora da instituição indeferiu 12 pedidos de ingresso por considerá-los fraudulentos. Três alunos entraram com liminares e, por enquanto, estão matriculados. Em 2006, a UEL conseguiu cassar duas liminares e impedir a permanência dos alunos nos cursos. Já na Universidade Estadual de Goiás (UEG), em 2006 um aluno obteve uma liminar na Justiça ao alegar que teria direito às cotas pois era proveniente de uma escola pública. A UEG, que reserva 20% das vagas para alunos do ensino público, havia negado o ingresso do aluno pois ele vinha de uma fundação particular conveniada com o governo. O processo ainda está tramitando na Justiça, mas a liminar ainda está em vigor.

A ação afirmativa também já está sendo contestada no Supremo Tribunal Federal (STF). A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) ajuizou na corte uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) com pedido de liminar contra a Lei nº 4.151, de 2003, do Rio de Janeiro, que estabeleceu o regime de cotas nas universidades cariocas. As cotas são destinadas a negros (20%), estudantes vindos de escolas públicas (20%) e portadores de necessidades especiais e indígenas e seus descendentes (5%). A Confenen alegou discriminação contra candidatos que, embora de baixa renda, não são negros e não cursaram o ensino médio em escolas públicas fluminenses. A Adin, no entanto, foi arquivada pelo ministro Sepúlveda Pertence - assim, as ações afirmativas ainda não passaram pela análise do Supremo.

"A lei de cotas promoveu a discussão de um assunto que o Brasil evitava debater", diz o advogado Renato Ferreira. Segundo dados do Ministério da Educação, apenas 12% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior - na Alemanha, este percentual é de 80% e nos Estados Unidos, de 90%. Além do baixo percentual de jovens na universidade, agrava a situação a desigualdade no restrito grupo de alunos que a freqüentam. Em Salvador, onde 70% da população é negra, os cursos de medicina contavam com apenas 4% de negros matriculados. Após a adoção do sistema de cotas, em 2004, este número já aumentou - na Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, há 36% de alunos negros ou pardos em todos os cursos. Em São Paulo os resultados também já são visíveis. Desde o último vestibular, a Universidade de São Paulo (USP) adotou o programa Inclusp, que dá um bônus de 3% no vestibular para alunos vindos de escolas públicas, sem distinção de raça ou renda. O projeto provocou um aumento de 9,5% no número de negros matriculados na universidade.

Apesar de alguns bons resultados, as ações afirmativas expõem um outro problema do sistema educacional brasileiro: o baixo nível do ensino médio público. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desde 2005 reserva 10% das vagas para negros provenientes do ensino médio público. Mas, ao contrário do esperado, sobraram vagas, pois os alunos que tentaram ingressar por meio das cotas a eles reservadas não atingiram a exigência mínima - de não "zerar" na prova - necessária para a aprovação. Diante do problema, a universidade alterou o sistema e permitiu que as vagas ociosas fossem preenchidas por alunos vindos do ensino público, mas sem o critério da cor.

Passada a polêmica inicial e a conseqüente contestação das ações afirmativas, algumas iniciativas podem trazer o tema ao debate. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criou, no início de setembro, a Comissão Nacional de Promoção da Igualdade para incentivar as ações afirmativas e atuar como intermediária entre os movimentos sociais e as instituições de ensino jurídico. "Sabemos como é difícil para os grupos sociais excluídos implementarem seus direitos na Justiça", diz Sílvia Cerqueira, presidente da comissão. Em novembro, a comissão promoverá um seminário sobre igualdade racial que inclui, entre os temas de debate, o das cotas raciais. "Queremos estender a implementação das cotas ao serviço público, e não só à universidade", diz. Para Sílvia, embora as cotas não resolvam o problema da exclusão da população negra no país, significam um meio mais célere para atingir a igualdade.

No Congresso Nacional já tramita a primeira proposta legislativa federal que trata das ações afirmativas. O Projeto de Lei nº 73, de 1999, de autoria da deputada Nice Lobão (DEM-MA), estabelece que sejam reservadas 50% das vagas para estudantes de escolas públicas, que deverão ser preenchidas por um número mínimo de negros e indígenas equivalente à proporção destes grupos na população do local em que está instalada a universidade. Se aprovada a proposta, a lei valerá somente para as universidades federais.

recebido de Renato Ferreira - educotas@yahoo.com.br, em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:05 — Arquivado em: Legislação

8.9.07

Programa de cotas será acelerado, diz Haddad

O Estado de São Paulo 04 de setembro de 2007

Segundo titular da Educação, escolas com ações afirmativas passam de 40

Roldão Arruda

Os programas de cotas raciais e sociais estão avançando rapidamente nas universidades federais - e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende apoiar cada vez mais as escolas que decidirem adotá-los. Essas afirmações foram feitas ontem pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, ao participar de um debate sobre ações afirmativas, em São Paulo.

Ele informou que 40 escolas federais já adotaram políticas de ações afirmativas. Também lembrou que esse processo ocorre à revelia do Congresso - que estaria relutando em debater o projeto de lei do Executivo sobre cotas.

“Para nossa agradável surpresa, independentemente da aprovação da lei, que se encontra paralisada no Congresso, depois de ter passado por todas as comissões e estar pronta para ir a plenário, as federais, por meio de seus conselhos superiores, passaram a aprovar várias modalidades de políticas afirmativas”, disse Haddad. “No Ministério da Educação estamos convencidos de que devemos avançar ainda mais nessas políticas e, tanto quanto possível, apoiar as universidades que, de livre e espontânea vontade, decidirem adotá-las”

Os programas de cotas estariam dando bons resultados. De acordo com o relato do ministro, nenhuma das “previsões catastrofistas” feitas por opositores do sistema concretizou-se: “A idéia de recrudescimento de ódio racial e a idéia de perda da qualidade da educação nas federais não aconteceram na prática. Não tem havido nenhum prejuízo para essas instituições.”

O debate foi organizado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dentro de um ciclo de encontros mensais que começou em agosto e tem final previsto para dezembro, sob o seguinte nome: Ações Afirmativas: Estratégias para Ampliar a Democracia. Ontem, além do ministro, participaram o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, e o economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Diante de uma platéia formada quase exclusivamente por negros, de movimentos sociais, políticos e acadêmicos, Haddad afirmou que o governo Lula está levando adiante “duas riquíssimas experiências” no resgate de dívidas sociais: o ProUni, que já distribuiu pela rede privada de ensino superior 300 mil bolsas de estudos para estudantes carentes, dos quais 136 mil seriam afrodescendentes; e os programas de cotas sociais e raciais nas universidades públicas. “Esse contingente, de quase 400 mil alunos, não teria acesso à educação superior não fossem essas políticas”, disse.

MÍDIA

O reitor da UnB - escola que adotou as cotas raciais em 2003 e já abriu as portas para 2 mil afrodescendentes - apontou a mídia como principal ponto de reação ao sistema. “O convívio entre estudantes em nossa escola é absolutamente pacífico. O único ódio que existe é o de certos setores da mídia”, afirmou Mulholand.

Ele disse que a mídia festeja a parada do orgulho gay e aprova a atenção especial dada nos vestibulares da UnB aos portadores de necessidades especiais, como tetraplégicos, mas “fecha a cara” quando se trata da inclusão do negro. “Isso tem explicação e tem nome”, insinuou, sem citar a palavra racismo.

O professor Paixão, da UFRJ, também criticou a mídia. Ele afirmou que a oposição às cotas e políticas de ações afirmativas reuniu grupos intelectuais e políticos de diferentes concepções ideológicas. “Formaram a santa aliança.”

extraído de http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/setembro/programa-de-cotas-sera-acelerado-diz-haddad

recebido de Os Negões -  osnegoes@terra.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:10 — Arquivado em: Ação Afirmativa

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