Memória Lélia Gonzalez em Ações Afirmativas

CULTURA, EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO EM AMEFRICANIDADE NA LUTA POR AÇÕES AFIRMATIVAS

4.10.09

O endereço de Ações Afirmativas mudou

Estimada/o,

Motivos técnicos fizeram com que mudássemos o endereço de Memória Lélia Gonzalez em Ações Afirmativas.

Propostas, reflexões e avanços na realidade continuam em http://afirmativas.blogspot.com/

ObrigadAxÉ!

criado por Memória Lélia Gonzalez    18:10 — Arquivado em: Sem categoria

22.8.08

UNB: Brasil em branco e preto

O link abaixo remete para um documentário de cerca de 50 minutos sobre cotas raciais na Universidade de Brasília. É narrado em inglês, mas boa parte é falada em português, porque há vários brasileiros entrevistados. Os trechos em inglês não chegam a ser difíceis de entender para quem tem uma certa noção da língua. A qualidade da imagem e do som é boa. A direção consegue demonstrar muito bem as enormes diferenças de classe/raça existentes em Brasília.

Christian

Brasil em preto e branco

http://www.pbs.org/wnet/wideangle/episodes/brazil-in-black-and-white/video-full-episode/2104/

*The Issue
*As one of the most racially diverse nations in the world, Brazil has long considered itself a colorblind “racial democracy.” But deep disparities in income, education and employment between lighter and darker-skinned Brazilians have prompted a civil rights movement advocating equal treatment of Afro-Brazilians. In Brazil, the last country in the Western Hemisphere to abolish slavery, blacks today make up almost half of the total population — but nearly two-thirds of the nation’s poor. Institutions of higher education have typically been monopolized by Brazil’s wealthy and light-skinned elite, and illiteracy among black Brazilians is twice as high as among whites.

Now, affirmative action programs are changing the rules of the game, with many colleges and universities reserving 20% of spots for Afro-Brazilians. But with national surveys identifying over 130 different categories of skin color, including “cinnamon,” “coffee with milk,” and “toasted,” who will be considered “black enough” to qualify for the new racial quotas?

* The Film
*”Am I black or am I white?” Even before they ever set foot in a college classroom, many Brazilian university applicants must now confront a question with no easy answer. BRAZIL IN BLACK AND WHITE follows the lives of five young college hopefuls from diverse backgrounds as they compete to win a coveted spot at the elite University of Brasilia, where 20 percent of the incoming freshmen must qualify as Afro-Brazilian. Outside the university, WIDE ANGLE reports on the controversial racial debate roiling Brazil through profiles of civil right activists, opponents of affirmative action, and one of the country’s few black senators.

Marcio Alexandre M. Gualberto - marcioalexandre@yahoo.com.br; em Julho 16, 2008 5:25 PM,
em mulheresnegras@yahoogrupos.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    17:36 — Arquivado em: Ação Afirmativa

UESB tem Programa de Ações Afirmativas

                                                                        

Com muita presença popular de representantes de movimentos sociais, quilombolas, estudantes, pré-vestibulares comunitários e de religiões de matrizes africanas, conquistaram ontem, 14 de julho de 2008, que o CONSEPE - Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, votasse e definisse a configuração do PROGRAMA DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, na parte dos princípios, objetivos e na reserva de vagas (acesso):

- Reserva de Vagas de 50% das vagas na uesb para alunos oriundos de escolas públicas;
- Reserva de 75% dessas vagas para candidatos auto-declarados negros;
- Auto-declaração poor meio de um termo de compromisso no ato da inscrição do vestibular e na matrícula, atestando possuir características fenotípicas de pertencimento ao segmento social negro;
- Duração de 15 anos do Programa de Ações Afirmativas da UESB, com avaliação anual e quinquenal, com vistas ao aperfeiçoamento do programa;
- Definição de 07 últimos anos do Ensino Básico feitos na escola pública;
- Cotas Adicionais para Quilombolas, Indígenas e Pessoas com Necessidades Educativas Especiais;
- Prioridade de Isenção de 100% da Taxa de Vestibular para quilombolas, indígenas, pessoas com necessidades especiais, alunos de pré-vestibulares comunitários da região sudoeste;
- Início do Programa já no Vestibular de 2009.1;
- Garantia de 01 representante dos movimentos sociais no Comitê Gestor do Programa de Ações Afirmativas na UESB.
…..
Com esta vitória, a UESB, última universidade estadual da Bahia a adotar políticas de ação afirmativa, seguirá o perfil adotado nas demais estaduais baianas (UNEB, UEFS e UESC), além da UFBA, UFRB.

1. Amanha, 16, será a votação no CONSEPE, do Programa de Assistência Estudantil, que integra o programa de Ações Afirmativas na UESB.
2. É importante ficarmos atentos que neste ano o edital da UESB sairá mais cedo e o pedido de isenção já está próximo, o que pode pegar muita gente desprevinida.
3. A UFBA já está com período de pedido de isenção aberto - www.vestibular.ufba.br
4. Nosso I Seminário sobre Ações Afirmativas na UESB será dia 23 de Julho, próxima semana, momento forte para formação, divulgação e mobilização social.

Flávio José dos Passos - Promoção da Igualdade Racial - Vitória da Conquista – BA - br_ebano@hotmail.com

criado por Memória Lélia Gonzalez    17:11 — Arquivado em: Ação Afirmativa

UMES-SP em Congresso aprova COTAS

 
No 20° Congresso da UMES - União Municipal dos Estudantes Secundaristas de SP - realizado nos dias 27 e 28 de Junho (2008), foi aprovada a resolução que defende a implementação das Cotas para negros e estudantes da escola pública nas Universidades.

Também houve a defesa da ampliação do PROUNI, do REUNI e do FUNDEB. 

Marcelo / UnB / Sintfub

recebido de Marcelo - unb.marcelo@terra.com.br;  em Julho 04, 2008 7:38 PM, em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br

criado por Memória Lélia Gonzalez    16:36 — Arquivado em: Ação Afirmativa

Denúncia: procuração da COFENEN

                                                                   
Segue em anexo, cópia do Instrumento de Procuração dos Advogados da COFENEN - Confederação Nacional de Estabelecimentos de Ensino Privado, outogardo para ajuizar a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei de Reserva de Vagas nas universidades públicas no Estado do Rio de Janeiro, processo nº , onde o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Município do Rio de Janeiro assumiu a responsabilidade pelo pagamento dos honorários advocatícios.

Este é o mesmo Sindicato que manifestou-se contra a Ação Cautelar sobre as nove escolas privadas, argumentando que "mudanças na educação não podem ser implementadas de uma hora para outra e dependem de processo de formação de professores”.

Seria válido lembrar que a Lei 10.639/03 já tem 5 (cinco) anos?

Acesse o conteúdo da procuração aqui.
http://humbertoadami.blogspot.com/2008/06/no-mera-concidnciaos-contrrios-lei.html  

e veja a última frase da procuração onde o Sindicato assume o pagamento dos honorários dos advogados da Confenen, EM 2003, NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, CONTRA AS COTAS.

recebido de Humberto Adami - www.adami.adv.br  - www.iara.org.br  - http://humbertoadami.blogspot.com  
em Julho 03, 2008 12:27 AM, em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br  

criado por Memória Lélia Gonzalez    16:29 — Arquivado em: Denúncia

Senado aprova Lei de cotas

01/07/2008 - 15h47

Proposta aprovada pela CE destina metade de vagas no ensino superior e na educação profissional para alunos de escolas públicas

Os estudantes que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas terão direito a pelo menos metade das vagas a serem oferecidas por instituições federais de ensino superior e de educação profissional e tecnológica. A medida consta do Projeto de Lei 546/07, de autoria da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), aprovado nesta terça-feira (1) em decisão terminativa pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

De acordo com o projeto, essas vagas deverão ser preenchidas, em cada curso e em cada turno, por estudantes que se declarem negros e índios, pelo menos em igual proporção à participação de negros e índios na população da unidade da federação onde for instalada a instituição de ensino. Por emenda apresentada pelo relator, senador Paulo Paim (PT-RS), pessoas com deficiência terão acesso às vagas reservadas independentemente do fato de terem cursado a educação básica em escolas públicas.
                                      
O texto que foi submetido à votação da CE previa inicialmente a reserva de vagas apenas para as instituições federais de educação profissional e tecnológica. A inclusão de instituições de ensino superior foi sugerida, durante o debate, pelo senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e prontamente aceita pela autora e pelo relator do projeto.

- Este é um dia muito feliz para a bancada da educação - celebrou Ideli.

A comissão aprovou também, em decisão terminativa, o Projeto de Lei do Senado 44/08, de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que define 2009 como o Ano da Educação Profissional e Tecnológica e o dia 23 de setembro como o Dia Nacional dos Profissionais de Nível Técnico. O relator foi Paulo Paim.

Entre outros projetos aprovados em decisão terminativa, está o PLS 733/07, do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que institui a comemoração anual, em 26 de julho, do Dia Nacional do Arqueólogo, cujo relator foi o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Igualmente em decisão terminativa, foi aprovado o Projeto de Lei do Senado 455/07, de Marconi Perillo, que autoriza o Poder Executivo a criar a Escola Técnica Federal de Iporá (GO). O relator ad hoc foi o senador Augusto Botelho (PT-RR). Outro projeto de Perillo aprovado em decisão terminativa (PLS 484/07) autoriza a criação da Universidade Federal do Norte de Goiás, em Porangatu (GO). O relator ad hoc foi o senador Papaléo Paes (PSDB-AP).

Ainda relativos à autorização de criação de estabelecimentos pelo governo federal, foram aprovados quatro outros projetos. O primeiro (PLS 25/08), do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), permite a criação da Escola Técnica Federal de Construção Naval em Itajaí (SC). O relator foi o senador Marco Maciel (DEM-PE). O segundo (PLS 92/08), de Paulo Paim, autoriza a criação do Centro de Especialização em Tecnologia da Carne em São Gabriel (RS). O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi o relator.

O terceiro projeto (PLS 459/07), de autoria do senador Gim Argello (PTB-DF), autoriza a criação do Centro Federal de Educação Tecnológica do Distrito Federal. O relator ad hoc foi Papaléo Paes. O quarto projeto (PLS 405/07), do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), permite a criação da Escola Técnica Federal de Buritis (RO). O projeto teve como relator o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Igualmente em decisão terminativa, foram aprovados pela CE dois projetos da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). O primeiro deles (294/07) inscreve o nome de Ana Néri - considerada a "patrona da enfermagem do Brasil", como recordou a relatora, Fátima Cleide (PT-RO) - no Livro dos Heróis da Pátria. O segundo projeto (PLS 296/07), que teve Marconi Perillo como relator ad hoc, altera o nome do próprio livro, que passa a ser chamado - segundo a proposta - de Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria.

Marcos Magalhães / Agência Senado

recebido de Thiago Thobias - thiagothobias@yahoo.com.br, em Julho 02, 2008 8:24 AM,
em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br  

criado por Memória Lélia Gonzalez    16:16 — Arquivado em: Ação Afirmativa

Tem negros na sua redação?

por Maurício Pestana*
12 de junho de 2007

Recentemente, em entrevista concedida aqui no Comunique-se a respeito da minha mais recente publicação, “Revolta dos Búzios – Uma História de Igualdade no Brasil”, o brilhante jornalista José Paulo Lanyi desferiu-me uma pergunta que jamais imaginei pudesse causar tantos comentários pró e contra a presença de negros nas redações.

Respondi que, de acordo com minha experiência em todas as redações por que passei, a realidade era a quase inexistência da presença negra . Disse-lhe que atribuía isso a vários fatores, que o principal talvez fosse a falta de qualquer tipo de política de inserção de negros nas universidades e que isso não era um caso isolado no jornalismo brasileiro.

Estamos fora de qualquer posto de comando, decisão e estratégico da mídia, da política, do comércio, da indústria, enfim, da economia brasileira. Mesmo sendo quase 50% da população deste país, ocupamos hoje um percentual insignificante dos bancos escolares nas universidades . Só para citar um exemplo: pesquisa realizada recentemente na USP- Universidade de São Paulo demonstrou que apenas 1,3% dos alunos da mais importante universidade brasileira são negros.

Discutir de forma clara, objetiva, sem ranço e preconceitos a aplicação de ações afirmativas e cotas no Brasil tem sido uma tarefa difícil para ativistas que lutam por um país justo e menos desigual . É impossível entrar nessa discussão sem levar em conta aspectos históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais do povo brasileiro . Aliado a esse estudo há de se pensar também a questão racial, sim, mas pelo prisma do principal vitimado dessa problemática : o próprio negro.

Todas as pesquisas dos mais respeitados órgãos, como IBGE, IPEA e DIEESE, apontam para a cor da pele no Brasil como um forte demarcador de posição e decisiva no ingresso, permanência e ascensão do negro no mercado de trabalho, na maioria das vezes independentemente do grau universitário deste “cidadão”.

São dados de órgãos respeitados obtidos por técnicos, e não por militantes da causa negra . Os relatórios são quase unânimes em afirmar que sem uma política clara e objetiva de inclusão do negro não haverá a menor chance de quebrar a barreira da exclusão, preconceito e do racismo brasileiro.

Em uma sociedade como a nossa em que quase todos estão perdendo alguma coisa e apenas uma minoria domina os principais setores da economia, da política e conseqüentemente da vida nacional, o simples fato, a mais remota hipótese de que uma medida tentará reparar parte das injustiças históricas com uma minoria discriminada - e que boa parcela da população “em tese” ficará de fora- tem causado enorme barulho e revolta daqueles que se sentem aviltados nos seus direitos e também dos preconceituosos enrustidos, que nunca defenderam nada, mas que agora saem da toca defendendo escola fundamental pública de qualidade para os negros se prepararem melhor (sem cotas); saem também na defesa dos brancos pobres (com cotas sociais); denunciam racismo às avessas e uma série de outras baboseiras sem o menor fundamento teórico ou técnico.

Os próprios técnicos do IPEA apontam que mesmo com ensino fundamental de qualidade a comunidade negra levaria décadas para reverter a desigualdade secular em que se encontra neste país.

Raros são os jornalistas que procuram pesquisar a fundo a questão levando em consideração a histórica exclusão econômica, política e social do negro no Brasil. Mais raros ainda são aqueles que escrevem ou se dedicam a fazer um estudo profundo sobre o 14 de maio de 1888, o dia mais longo para o negro no Brasil, uma vez que ele ainda não acabou, pois, após mais de 350 anos de trabalho para a construção desta nação, fomos jogados às margens da sociedade sem qualquer reparação ou política compensatória, ou inserção na nova economia.

Raríssimos são os jornalistas como Miriam Leitão, da Rede Globo, que mesmo de forma solitária tem a coragem de dizer que o Brasil só resolverá seus problemas econômicos no dia em que encarar seus problemas raciais, pois essa questão é sim fator de desigualdade, e sem o seu enfrentamento estaremos fadados a não sair do Terceiro Mundo.

Raros também são aqueles capazes de admitir que durante toda a sua carreira poucos foram os seus colegas negros de redação não pertencentes ao “quadro negro” de manutenção, como seguranças, copeiros, ascensoristas e às vezes recepcionistas.

Dentro desta linha, raros, incluem-se também os veículos de informação capacitados para um debate franco, aberto, sem conceitos já preestabelecidos, uma vez que lhes falta o mais importante: material humano que lhes garanta imparcialidade no assunto.

Porém, a “tradição” da imparcialidade contemporânea da imprensa brasileira tem demonstrado em alguns casos um grande esforço em entender e abordar de forma justa essa questão.

A última tentativa quase bem-sucedida foi da revista Superinteressante, que na edição de maio (talvez por conta do 13 de maio) publicou extensa matéria sobre as cotas nas universidades brasileiras. Tentando uma imparcialidade total, a revista abre espaços para os prós e para os contras das cotas.
                                                
Analisando tecnicamente a matéria podemos perceber que foram dadas 175 linhas de texto para os argumentos favoráveis às cotas e 214 linhas para os contrários às cotas . O lado positivo da matéria é a pesquisa que a revista faz na própria redação, em que constata a inexistência de negros. A Superinteressante, desde 2004, é 100% branca, ou seja, não existe um só negro na redação! Parabéns para a autocrítica! E você, já avaliou a cor da sua redação?

* Maurício Pestana é publicitário e cartunista. Tem trabalhos publicados no Brasil e no exterior.
É editor do site www.mauriciopestana.com.br.

recebido de Carlos Medeiros - calmed64@hotmail.com, em Junho 27, 2008 6:08 AM,
em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br

os girfos em
bold (negrito) são nossos

criado por Memória Lélia Gonzalez    15:59 — Arquivado em: Denúncia

Denúncia contra COMVEST- UNICAMP

                                       
Considerando a iniciativa do Prof. Leandro Russovski Tessler, coordenador da Comissão de Vestibulares da Unicamp (COMVEST), de articular um manifesto contrário à aprovação do Projeto Lei 73/1999 – que prevê a implantação de cotas nas universidades públicas brasileiras;

Considerando, ainda, que não é a primeira vez que docentes da Unicamp se articulam para atacar as conquistas da população negra, como ficou exemplificado na ação do Conselho Universitário contra a Portaria 1.740 do Ministério do Trabalho e Emprego que instituiu o quesito raça/cor na Rais e Caged, articulado pelo Prof. Dr. Tomasz Kowaltowski.

Ante ao exposto, vimos pelo presente solicitar que as entidades negras e dos movimentos populares enviem manifestações de repúdio as ações organizadas por docentes da Unicamp que são contra as cotas raciais.

As manifestações de repúdio devem ser encaminhadas à Comvest E-mail: comvest@comvest.unicamp.br, com cópia para celso.karuna@gmail.com.

O manifesto contrário às cotas pode ser lido no link:
http://www.comvest.unicamp.br/vest2009/lei_cotas.html  

A ata da Câmara de Administração está no link:
http://www.sg.unicamp.br/pautas/ata140cad.pdf  

Celso Ribeiro de Almeida - celso.karuna@gmail.com  
Secretário de Combate ao Racismo – PT Campinas

recebido de Humberto Adami - humberto@adami.adv.br  
em Junho 26, 2008 2:52 AM, em discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br  

criado por Memória Lélia Gonzalez    15:44 — Arquivado em: Denúncia

4.8.08

A farsa de “Não somos racistas” - parte 1

Ali Kamel e a farsa de “Não somos racistas”
terça-feira 17 de junho de 2008 - DEBATES
Por Mara Onijá


Nesse artigo, tratamos de debater com algumas das principais idéias do livro “Não somos racistas – Uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor”, de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, publicado em 2006. A idéia principal de Ali Kamel é de que o racismo não é um aspecto estrutural da sociedade brasileira. Para ele, o racismo existe aqui, mas porque “onde há homens reunidos há também todos os sentimentos, os piores inclusive”. Assim, ele resume o racismo daqui como um sentimento, uma questão moral, definição que está a serviço de esconder o racismo institucional e o papel que cumpriu e cumpre o Estado para sua manutenção.

“Aqui, após a Abolição, nunca houve barreiras institucionais a negros ou a qualquer outra etnia”

Para afirmar isso, ele tem que omitir como se deu o processo pós-Abolição. O projeto que o Estado brasileiro implementou esteve de acordo com seu objetivo de embranquecimento do país, colocando os negros como “incapazes” de compor a classe operária que então foi formando-se. A imigração européia foi promovida a passos largos: de 1890 a 1900, 1,4 milhão de imigrantes chegaram ao Brasil. Para os negros, que compuseram a força de trabalho escravo durante mais de 300 anos, a introdução do “trabalho livre” significou transformar-se em exército de reserva, sob as piores condições de vida. Ao contrário da definição de Ali Kamel, o racismo não se apresentou como mero “sentimento”, mas como política de Estado, planejada e implementada. Se isso não se caracteriza como barreira institucional, o que mais poderia assim se caracterizar?

Mas além de impedir os negros de ocupar os postos de trabalho que iam se gerando, o Estado tratou ainda de garantir a repressão e punição judicial aos negros com a Lei de Vadiagem, dois anos depois de abolida a escravidão. Negros que não comprovassem trabalhar, assim como a capoeiragem e os terreiros de candomblé, eram perseguidos violentamente. A lei considerava vadiagem: “Deixar de exercitar profissão, ofício, ou qualquer mister em que ganhe a vida, não possuindo meio de subsistência e domicílio certo em que habite; prover a sua subsistência por meio de ocupação ofensiva da moral e dos bons costumes” [1]. Por um lado, milhões de negros que introduziram aqui técnicas desenvolvidas na África [2] e suportaram as condições de trabalho mais desumanas da escravidão não serviam mais para o trabalho [3]. Por outro lado, todos aqueles que não exerciam profissão eram considerados “vadios”. Depois de cumprir pena, que podia chegar a três anos em caso de reincidência, tinham ainda que assinar um termo comprometendo-se a “tomar ocupação dentro de quinze dias”. Ao mesmo tempo que te impedem de trabalhar, te obrigam a ter trabalho: assim poderíamos resumir esse mecanismo. Estavam na mira do desemprego e da repressão policial os negros recém “libertos”. Mas para Ali Kamel, nunca houve barreiras institucionais aos negros depois da abolição…

O racismo a serviço do capitalismo

Poderiam ser escritas muitas páginas sobre as “barreiras institucionais” que garantiram a manutenção do racismo ao longo desses 120 anos, após a Lei Áurea. As medidas de opressão ao povo negro não foram meros detalhes, mas parte essencial do projeto de formação do Brasil. Se hoje, os salários e direitos trabalhistas dos negros e negras são tão inferiores e ainda compomos em grande medida os índices de desemprego, tudo isso serve aos capitalistas para rebaixar a média salarial do conjunto da classe trabalhadora e aumentar seus lucros. A idéia de que negro é incapaz ou não se enquadra nos padrões de boa aparência se mantém muito a serviço desse interesse.

Como afirmou Malcolm X, “não existe capitalismo sem racismo”. E isso diz respeito não somente aos dias atuais, mas ao processo histórico em que se desenvolveu o capitalismo. O trabalho escravo do africano e do afro-descendente no continente americano – marcando-nos como “seres inferiores”, não-humanos - gerou riquezas exorbitantes às metrópoles. E mais ainda com o tráfico de africanos seqüestrados foram gerados lucros ainda maiores, dos quais se beneficiou principalmente a Inglaterra, justamente o país que a seguir esteve à frente no desenvolvimento da indústria capitalista – e que então empreendeu uma luta violenta contra o tráfico de africanos, pela expansão do trabalho livre [4].

Uma vez mais, a idéia de um Brasil mestiço para maquiar o racismo

Depois de tantas críticas a Gilberto Freyre e sua concepção de um Brasil mestiço e harmônico - feitas não somente pelo movimento negro, mas também por intelectuais brancos comprometidos em alguma medida com a luta pela igualdade racial -, Ali Kamel traz de volta as idéias de Freyre. Espertamente, apresenta-o como quem mais se destacou em se contrapor ao pensamento racista que predominava nas ciências sociais no início do século passado. É verdade quando Kamel caracteriza esse pensamento como “abjeto”. Mas há um problema: o pensamento racista de fins do século XIX e início do XX, que partia de caracterizar os negros como biologicamente inferiores para defender sua progressiva diminuição no contingente populacional, não foi eliminado nos dias atuais – apenas ganhou novas roupagens. De tempos em tempos, mesmo depois de todas as comprovações científicas sobre o quanto infundadas são essas teorias, aparecem cientistas reafirmando a existência de inferioridades biológicas. Pelo raciocínio de Ali Kamel, deveria se concluir que tudo isso não passa de exceção à regra.

Para Ali Kamel, é um absurdo que aqueles que se autodenominam “pardos” sejam considerados “negros”. Segundo ele, um “pardo” tem descendência de negros e também de brancos – o que é verdade. Mas é a descendência negra à mostra que predomina nas entrevistas de trabalho ou nas batidas policiais [5]: nessas horas, ninguém tem dúvida sobre quem é branco e quem é negro, o racismo mostra a sua cara sem máscaras e a “nação bicolor” se revela uma vez mais.

Mas Ali Kamel está preocupado em encontrar o “cafuzo, mulato, mameluco, caboclo, escurinho, moreno, marrom-bombom”. Ele se assusta com o que para ele só pode ser uma idéia – equivocada – e não uma realidade: “uma nação de brancos e negros onde os brancos oprimem os negros”. E continua: “Outro susto: aquele não era o meu país”. 

                                                                                                                   continua…

criado por Memória Lélia Gonzalez    22:45 — Arquivado em: Denúncia

A farsa de “Não somos racistas” - parte 2

                                                                                                                  [parte final]

Seu país é bem diferente dos Estados Unidos, pois aqui “quase todos, mesmo os racistas, encantam-se com o que se considera ter vindo da África”. Ora, os negros viemos da África e encantamento por nosso povo é o que não conhecemos desde os tempos da escravidão. Ah, mas ele está falando da cultura negra, podem dizer. E o que muda? A burguesia branca pode mesmo se encantar com o carnaval do Rio de Janeiro ou da Bahia [6]. Mas, além de isso ter como pano de fundo o turismo sexual, em que as mulheres negras seguem como “mulatas” de consumo, essa aparente “confraternização” não muda em nada as relações sociais que marcam o racismo estrutural.

Mas Ali Kamel é um “freyreano” convicto. Chega ao ponto de dizer que Gilberto Freyre deu ao negro a “sua real dimensão”, e exalta a “mistura” insistentemente. Ele acusa os críticos de terem lido apressadamente ou não terem lido a obra de Gilberto Freyre. Faz isso para não ter que explicar a contradição entre a caracterização de “congraçamento” – ou seja, amizade, fraternidade – e os estupros, olhos furados, peitos dilacerados relatados pelo próprio Freyre.

A solução de Ali Kamel só pode ser uma farsa

Ali Kamel não ignora os números das pesquisas que revelam as desigualdades raciais: ele as manipula tentando provar por um lado que a “pobreza é parda” – e não negra – e que os negros – nesse caso, “pardos” e “pretos” - aparecem relacionados aos níveis mais baixos de condições de vida, pelo mero fato de ser grande parte da população pobre. Logo, para ele, as políticas específicas para os negros são infundadas.

É aí que entra no que diz ser “a face mais feia da sociedade brasileira”: “o preconceito contra os pobres”, que ele espera diminuir com a diminuição da pobreza! E então, vem a “única solução”: a educação. A “fórmula mágica” é investir na educação e assim o país se desenvolverá e ajudará os pobres a deixar de ser pobres (ou tão pobres). Esse é o mundo de Kamel: o racismo não é estrutural no Brasil e pobreza não tem nada a ver com exploração capitalista! Na sociedade que ele desenha, não existem capitalistas mantendo seus lucros exorbitantes sob o sangue e o suor dos trabalhadores e nem a manutenção de um exército de reserva que vive na miséria. O problema é uma tal concentração de renda abstrata, que não se explica como se desenvolve – só o que ele pode dizer é que investir na educação será a solução. Não é à toa que Yvonne Maggie [7] afirma que o que está em pauta é o “nosso futuro”. Está em pauta o futuro deles e o nosso, que não pode ser o mesmo, porque a “nação” que apresentam, não garante direitos iguais: na verdade, garante muitos lucros a quem possui a propriedade privada, ao mesmo tempo em que garante exploração e repressão aos que nada têm, a não ser a sua força de trabalho. E o problema da “nação bicolor” não está colocado somente para que se contraponham às políticas de cotas raciais. Também nesse caso, está em pauta o futuro: se os negros desse país tomam em suas mãos a luta contra a opressão histórica a que estamos submetidos isso significará colocar em risco as bases da dominação dessa burguesia branca. É por isso que lutamos. É contra isso que se coloca Ali Kamel.

[1] Artigo 399 do Código Penal de 1890.
[2] Ao contrário das idéias que se propagam até hoje, muitos grupos africanos desenvolveram antes da chegada do homem europeu técnicas de agricultura, mineração e metalurgia, sistemas matemáticos, conhecimentos de astronomia e medicina, etc.
[3] Celso Furtado, em Formação Econômica do Brasil, livro escrito em 1959, afirma que “Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável, a elevação do seu salário acima de suas necessidades – que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio”.
[4] É importante ressaltar que não havia nenhum interesse humanitário combinado a esse interesse econômico. O combate ao tráfico de africanos, desde meados do século XIX implementado pela Inglaterra como uma forma de acabar gradualmente com o trabalho escravo no continente americano, significava perseguir, bombardear e naufragar navios cheios de africanos.
[5] Aquele considerado “mestiço” ou “pardo” pode até conseguir uma vaga de emprego se estiver concorrendo com alguém considerado “preto”, mas se tiver um branco à disposição, vão embora o “mestiço” e o “preto”, sentindo na pele o que é ser negro nessa sociedade, ainda que varie a melanina.
[6] O que não quer dizer que a História da África e todo conhecimento produzido nesse continente sejam valorizados: persiste a idéia de uma África de safáris, fome, Aids e nada mais.
[7] Professora de Antropologia da UFRJ, uma das organizadoras da carta pública contra as cotas, intitulada “Todos têm direitos iguais na República Democrática”.

recebido de Mara Punho Preto - mara_punhopreto@yahoo.com.br,
em 24-06-2008, na lista discriminacaoracial@yahoogrupos.com.br  

Publicado em http://www.ler-qi.org/spip.php?article1168 – página não encontrada no dia da publicação desse "post" neste "Blog" - 04/08/2008
Encontrado em http://jorgepinheirosanctus.blogspot.com/2008/06/no-somos-racistas.html - 04/08/2008

Os grifos, em "bold" (negrito), são nossos.

    

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